Inventário Florestal

Capacidade produtiva dos povoamentos

capacidade produtiva
Escrito por Mata Nativa

O artigo desta semana foi extraído do site Mensuração Florestal, que foi criado com o objetivo de disponibilizar conteúdo e informação para estudantes e profissionais da área florestal e áreas afins, na forma de posts, considerando diferentes áreas relacionadas à mensuração florestal. Inclusive, lá você encontra os capítulos do livro Dendrometria e Inventário Florestal, publicado anteriormente pela Editora UFV.

1. Introdução

A produção florestal está diretamente relacionada à capacidade produtiva de uma determinada área, normalmente designada pela qualidade do seu sítio (site quality). Assim, sendo, melhores sítios estão relacionados à maior capacidade produtiva do local enquanto que piores sítios estão relacionados à menor capacidade produtiva.

No contexto do Manejo Florestal, a qualidade de um sítio (local) pode ser definida como a produção potencial de madeira (ou de outro produto) deste local, para uma determinada espécie ou clone (CAMPOS e LEITE, 2017) ou tipo florestal. Desta forma, importante salientar que um sítio bom para uma espécie pode não ser tão bom para outra.

Ainda, do ponto vista do manejo florestal, medir a capacidade produtiva de terras ou povoamentos florestais, se faz necessário para efeito de prognose ou prescrição de manejo.

2. Alternativas de classificação da qualidade do local (site)

Clutter et al. (1983), destacam as seguintes alternativas para classificação da qualidade do local:

a) Método baseado em vegetações indicadoras: Nesta alternativa, plantas ou comunidades plantas estão associadas a qualidade do sítio (local). Com isso, é possível fazer uma avaliação somente qualitativa; alguns casos requer conhecimentos de ecologia, dada a interação entre espécies e especificidade de ocorrência; e funciona melhor em países de clima temperado, com baixa diversidade de espécies. Mesmo com limitações, esta alternativa informa sobre condições de umidade do solo, acidez do solo, entre outras características da área.

b) Método baseado em efeitos do meio: Entre as alternativas, tem-se a classificação ecológica, como o Método de Holdridge, baseado em zonas de vida; classificações climáticas, como o Método de Thornthwaite & Matter; e a classificação com base nos tipos de solo. Uma vez que o meio é complexo e os fatores são interativos, dificulta separar a relação CAUSA versus EFEITO. No entanto, este método tem uma vantagem que é a não dependência da existência de plantações.

c) Método baseado na relação Altura dominante versus Idade: É o método mais prático e consistente, pois todos os fatores do ambiente refletem no crescimento da altura das árvores dominantes. Entre as vantagens de sua aplicação, tem-se: é a classificação mais utilizada para fins florestais; é simples de compreensível; existe uma expressão numérica em lugar de uma descrição; e pode ser associada facilmente associada com o crescimento e produção de um povoamento.

Considerações sobre a altura das árvores dominantes:

· É altamente correlacionada com o volume dos povoamentos;

· É de fácil obtenção no campo, no caso dos plantios;

· Não é afetada, dentro de certos limites, pela densidade de plantio;

· Define o chamado Índice de Local (S).

Saiba também: Manejo Florestal de Precisão

d) Método baseado em dados históricos de produção: Embora esta possa ser uma alternativa, deve-se ter em mente que a capacidade produtiva de um local pode mudar em decorrência do uso do solo, bem como pode ter havido mudança de material genético plantado ao longo do tempo, de tal forma que dados históricos podem não refletir as condições atuais. Além disso, outros fatores como pragas, mudança de espaçamento de plantio, ocorrência de incêndios podem ter afetado a produção, de forma que os dados da produção refletem outros fatores além da capacidade produtiva do local.

e) Dados da produção volumétrica atual: Esta alternativa pode ser utilizada em uma classificação à priori. À semelhança dos dados históricos, os dados atuais de produção podem ser reflexos de outros fatores além da capacidade produtiva. Há a necessidade da verificação nos dados atuais dos níveis de mortalidade dentro dos plantios; da densidade de plantio; e de outros fatores que podem ter tido influência na produção como adubação e outros tratamentos silviculturais.

3. Curvas de Índice de Local

3.1. Conceitos:

Para o melhor entendimento do método baseado na relação entre idade e altura das árvores dominantes algumas definições são importantes:

a) Índice de Local (S): é a altura média das árvores dominantes (Hd) ou dominantes e codominantes em uma idade-índice (Ii) pré-estabelecida.

b) Idade-índice: é uma idade de referência (arbitrária), normalmente estabelecida antes da idade de corte do povoamento.

c) Árvores dominantes: são as árvores de maiores diâmetros; tronco retilíneo; copa no estrato superior da floresta, recebendo sol por todos os lados; saudáveis; sem defeitos ou ataques de pragas.

3.2. Dados para construção das curvas de índice de local:

Os dados para a construção das curvas de índice de local podem ser provenientes de parcelas permanentes, análise completa de tronco e parcelas temporárias.

No caso das parcelas permanentes, elas devem ser provenientes dos inventários florestais contínuos (IFC`s). No entanto, elas devem ser selecionadas seletivamente, prioritariamente, em classes de alta, média e baixa produtividade, em mesma intensidade em cada classe, para que a condição média não seja amostrada mais intensamente. Assim, o banco de dados teria o seguinte formato:

Plotando-se as alturas médias das árvores dominantes (Hd) em função da idade das árvores, ter-se-ia o seguinte comportamento, onde verifica-se um aumento das alturas com as idades, tendendo a um valor assintótico nas maiores idades.

3.3. Métodos de construção de curvas de índice de local

De posse dos dados, conforme tabela anterior, pode-se utilizar vários métodos para a construção de curvas de índice de local, entre eles: o Método de atribuição preliminar de índices de local, Método da equação das diferenças, Método de Hammer e Método da predição de parâmetros e o Método da curva-guia. Maiores detalhes sobre este métodos podem ser obtidos em Campos e Leite (2017).

3.3.1. Método da curva-guia

Neste post, ênfase será dada ao Método da curva-guia, uma vez que ele é de fácil entendimento e amplamente utilizado em várias locais pelo mundo.

Entenda também: Manejo florestal sustentável e a sua importância

Haja vista a distribuição das alturas das árvores dominantes em relação às idades das árvores, pode-se ajustar uma equação para descrever este comportamento (curva-guia), considerando, por exemplo, os dois modelos estatísticos descritos na figura abaixo.

Dependendo do modelo, podem ser geradas curvas anamórficas – feixe de curva com mesma inclinação; ou polimórficas – cujo feixe de curvas não apresenta mesma inclinação.

Considerando a definição de índice de local, ou seja, Hd = S quando I = Ii, e o modelo a seguir:

podemos escrever que:

Ou ainda que:

Substituindo-se (2) em (1), tem-se:

A expressão (3) é utilizada para gerar o feixe de curvas de índice de local (figura abaixo). Como a idade-índice é pré-fixada, fixa-se também o valores de S e variam-se as idades (I) para gerar as curvas.

Rearranjando a expressão (3), obtém-se:

Que é a expressão utilizada para gerar o índice de local para um povoamento, com uma dada altura dominante (Hd), em uma certa idade.

3.3.1.1. Exemplo

Seja, por exemplo, a seguinte equação, ajustada pelo Método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO) para descrever o comportamento das alturas das árvores dominantes em relação às idades (I) dos povoamentos (curva-guia):

Considerando uma idade-índice (Ii) igual a 60 meses, as expressões para gerar as curvas de índice de local e classificar o site, isto é, gerar os índices de locais para um dado observado de altura dominante em uma dada idade, são, respectivamente:

a) Geração de curvas de índice de local

Por exemplo, se quiser gerar a curva de índice de local para S=15, basta variar a idade para gerar as estimativas. Assim,

ou

Repetindo-se este procedimento para as demais idades (mantendo-se S=15), tem-se:

Graficamente, a curva para S=15, será:

Para gerar outras curvas de índice de local (S), repete-se o mesmo procedimento, de tal forma a obter uma tabela com as seguintes estimativas:

Graficamente, as curvas de índice de local (S), seriam assim representadas:

b) Geração do índice de local

No caso que se deseja saber qual é o índice de local, basta substituir a idade (meses) do povoamento e a altura média das árvores dominantes (Hd) na equação e obtém-se a estimativa do índice de local.

Por exemplo, para um povoamento com 72 meses e cuja altura média das árvores dominantes (Hd) é igual a 23,8 metros, o índice de local (S), será:

 

4. Referências bibliográficas

CAMPOS, J.C.C.; LEITE, H.G. Mensuração Florestal: perguntas e respostas. 5.ed. atualizada e ampliada.  Viçosa: Editora UFV. 2017. 636 p.

CLUTTER, J.C.; FORSTON, J.C.; PIENNAR, L.V.; BRISTER, G.H.; BAILEY, R.L. Timber management: a quantitative approach. 3. ed. New York: John Willey & Sons, 1983. 333p.

 

Fonte:

http://www.mensuracaoflorestal.com.br/capacidade-produtiva-dos-povoamentos

 

Veja também:

 


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