Inventário Florestal

Crescimento de Florestas Nativas

Escrito por Fernanda Carvalho

O crescimento de uma floresta é definido pelas mudanças de tamanho ocorridas em um determinado período de tempo. Sabe-se, portanto, que em uma floresta o crescimento é dado pela atividade das árvores vivas, mas sua somatória não reflete o crescimento da floresta como um todo, pelo fato de existirem árvores que morrem, cortadas ou recrutadas no período de crescimento. O crescimento das árvores, mais convenientemente medido pelo incremento da circunferência ou diâmetro à altura do peito é de grande interesse da silvicultura e do manejo florestal.

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Modelos de crescimento constituem-se em excelente ferramenta, que permite aos profissionais encarregados de manejar florestas, investigarem de forma rápida e eficiente, a resposta da floresta sob diferentes regimes de manejo. Modelo de crescimento é um sistema de equações que pode predizer crescimento e produção de uma floresta sobre uma grande variedade de condições.

Toda comunidade vegetal apresenta curva de crescimento cumulativo ou estoque em crescimento com tendência sigmoidal. Por mais que o crescimento seja o resultado de complexas interações de forças opostas: anabólicas (metabolismo construtivo, fotossíntese, absorção de nutrientes) e catabólicas (competição, respiração, estresses, limitações de recursos), a longo prazo, a tendência sigmoidal é estável e a curva de crescimento cumulativo, possui valor assintótico, que se refere à capacidade de suporte máxima do local e o ponto de inflexão, que representa o nível em que a taxa de crescimento corrente está no máximo.

No ciclo de vida inicial e médio da sucessão da comunidade vegetal, a curva de crescimento cumulativo é côncava, enquanto no ciclo mais tardio e final, ela é convexa. Em outra terminologia, a dinâmica de crescimento de uma floresta inequiânea (florestas que possuem pelo menos três classes de idade misturadas no mesmo povoamento), evolui dos estágios sucessionais secundários inicial, médio e avançado, em direção ao estágio primário ou climax, seguindo um curva geral de crescimento cumulativo.


Curvas teóricas de crescimento cumulativo (Wj) e de taxa de crescimento corrente (ΔWj), mostrando a faixa de variação da capacidade e suporte ou valor assintótico (α) e o ponto de inflexão (I) de uma comunidade florestal natural.

Crescimento e produção para fins de manejo

Para o manejo florestal, uma das fontes de informação mais importante é a existência de relações quantitativas e modelos matemáticos que sejam consistentes e numericamente compatíveis para a predição do desenvolvimento do povoamento em qualquer idade. Este conjunto de relações permite efetuar a prognose do crescimento e da produção das florestas sujeitas a diferentes densidades e tratamentos silviculturais, possibilitando inferências sobre a melhor estratégia de plantio, a análise econômica de tratamentos silviculturais, o planejamento da época de corte e a alocação de parte das árvores ou povoamentos para diferentes produtos, dentre outros. Desta maneira, a predição do valor potencial da produção sob várias condições fornecerá ao administrador elementos para se efetuar a otimização da produção florestal.

As florestas primárias não exploradas, comparativamente às florestas exploradas, manejadas e secundárias em estágios de sucessão inicial, médio e avançado, acumulam um estoque máximo em volume durante um longo período de sucessão. Elas tem taxa de crescimento muito baixa, quando comparadas com plantios de espécies de rápido crescimento. Nas florestas primárias o ingresso e o incremento líquido têm a função de compensar o material decadente, mas não de aumentar o volume, explicando em parte, a baixa taxa de crescimento dessas florestas.

Curvas teóricas do crescimento cumulativo ou estoque volumétrico(Wj) e da taxa de crescimento corrente (ΔWj) de uma comunidade de floresta natural.

O nível de estoque em crescimento que harmoniza objetivos biológicos e econômicos é , posto que permite aplicar intensidade de corte que resulta numa redução máxima de estoque ou colheita máxima () sem ultrapassar a região do ponto crítico ou de inflexão da curva teórica de estoque volumétrico. No entanto, gerir uma floresta para produção sustentável a longo prazo, operando sempre no limite da região crítica, é provavelmente insustentável, porque a margem de segurança de sustentabilidade ambiental, nesse caso, é mínima ou zero, apesar de a taxa de crescimento do estoque ser a maior.

Modelos de Crescimento e Produção

Um modelo de crescimento e produção pode ser representado por um ou mais modelos estatísticos, equações, tabela ou gráficos. A modelagem do crescimento e da produção sempre deve avaliar alternativas de manejo, através de uma ou mais equações, uma ou mais variáveis independentes.

Os modelos de produção podem ser expressos de várias maneiras dependendo das variáveis envolvidas. Os modelos globais ou em nível de povoamento são os mais comumente empregados pela maior facilidade de amostragem. Mas não explicam diretamente a variação do tamanho das árvores dentro do povoamento.

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Os modelos de distribuição por classe diamétrica são aqueles que estimam o número de árvores por hectare por classe de diâmetro nas idades presente e futura, enquanto os modelos de árvores individuais é aquele em que são consideradas todas as árvores para qual o crescimento está sendo projetado.  É muito utilizado quando se quer construir tabelas de estoque futuro e associações com o sortimento. Para a modelagem do crescimento e da produção, a análise de tronco constitui uma alternativa quando não há dados de parcelas permanentes, sendo caracterizada por limitações como não garantir a medição de mortalidade e por não contabilizar o efeito de tratamentos artificiais como desbastes e podas.

Referência Bibliográfica:

SOUZA, A.L.; SOARES, C.P.B. Florestas Nativas: estrutura, dinâmica e manejo. Viçosa: Editora UFV, 2013, 322 p.

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.