Inventário Florestal

Estudos de Dinâmica em Florestas Nativas

Escrito por Fernanda Carvalho

O Inventário Florestal Contínuo (IFC) é uma ferramenta de grande importância para o monitoramento do crescimento e produção das florestas e é basicamente composto por parcelas permanentes, onde se efetua a coleta periódica de dados quantitativos e qualitativos, envolvendo alterações temporais na vegetação arbórea. Tais dados, reunidos a outras informações advindas de ensaios silviculturais e estudos fenológico/ecológicos, possibilitam a construção de modelos que refletem a estrutura e a dinâmica das florestas.

Assim, uma base de dados sistematizados, oriundos de parcelas permanentes, constitui importante instrumento para o manejo e o desenvolvimento florestal sustentáveis e também para estratégias de conservação de áreas protegidas.

Para possibilitar a quantificação das mudanças na arquitetura, estrutura e composição florística, bem como avaliar os impactos da exploração e determinar o tipo e intensidade de aplicação dos tratamentos silviculturais, um inventário florestal contínuo deverá ser planejado e implantado, de preferência antes da exploração florestal.

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Ele fornece os dados básicos para monitorar o desenvolvimento da floresta remanescente de impacto reduzido e após a aplicação do primeiro tratamento silvicultural, isto é, para avaliar os processos de dinâmica de sucessão natural, crescimento e produção florestal por espécie, classe diamétrica e por regime de manejo, definir necessidade, tipo, intensidade e ocasião de aplicação de tratos silviculturais, e, sobretudo, determinar o ciclo de corte. Assim, para o monitoramento de planos de manejo e estudos de dinâmica de florestas tropicais, medições sucessivas de parcelas permanentes devem ser efetuadas em períodos de 3 a 5 anos, preferencialmente em razão das baixas taxas de crescimento dessas sucessões florestais naturais.

O principal do inventário realizado em ocasiões sucessivas é saber se o emprego de unidades permanentes, com maior custo de locação na primeira ocasião, é a melhor alternativa, se o uso de unidades de amostra temporários e independentes, de custo de locação inferior em qualquer ocasião é a melhor alternativa e se o uso combinado de unidades temporárias e permanentes é a melhor opção.

No monitoramento florestal, a amostragem por parcelas permanentes é o procedimento recomendado e o mais empregado, tendo em vista o controle árvore a árvore, o que permite inferir precisamente sobre as mudanças ocorridas na florestal em certo período.

O entendimento dos processos e mecanismos que são responsáveis pela dinâmica de populações e padrões em comunidade é fundamental para o estabelecimento de critérios de manejo nos trópicos, uma vez que um dos princípios da silvicultura é que diferentes espécies comportam-se de forma diferenciada aos diversos graus de abertura do dossel.

Assim, a dinâmica da floresta nativa e a complexidade de seu ecossistema devem ser muito bem entendidos para que se possa planejar a utilização sustentável de seus recursos e a sua conservação.

A dinâmica florestal envolve diversos processos de organização da comunidade, como sucessão, mortalidade, recrutamento, crescimento, regeneração e relações bióticas entre diferentes populações (competição, simbiose, predação etc.). Essas informações, quando analisadas conjuntamente indicam as alterações ocorridas nas populações.

Ingresso ou recrutamento

Ingresso ou recrutamento pode ser definido como os indivíduos que apareceram entre duas medições, ou indivíduos que atingiram um DAP ou volume mínimo em duas medições consecutivas. O recrutamento mantém a floresta com novas árvores, podendo ou não compensar a mortalidade.

A quantidade de ingresso pode variar dependendo da composição florística e da perturbação do dossel. Caso a floresta sofra perturbações pequenas (como a queda de um galho ou uma árvore), o aparecimento de novos indivíduos é reduzido, porém grandes perturbações resultam maior quantidades de germinação, principalmente de espécies pioneiras de crescimento rápido.

Mortalidade

A mortalidade pode ser definida como o número de indivíduos que morreram em um determinado período. A mortalidade e a reprodução consistem juntas no ponto de partida da maioria dos estudos de dinâmica de população. A mortalidade pode ocorrer tanto por causas genéticas como ambientais, porém, os modelos de crescimento ignoram o fator genético, dando maior importância aos fatores ambientais. Em florestas tropicais, o modelo de mortalidade no tempo e no espaço é fortemente relacionado à máxima longevidade das árvores, sua distribuição em classes de tamanho, abundância relativa das espécies, tamanho e número de clareiras.

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As árvores mortas influenciam nas condições dos microambientes e, portanto, na taxa de crescimento de árvores vizinhas. A morte de uma árvore pode aumentar ou diminuir a mortalidade de outras, ocorrendo a uma taxa anual que varia de 1% a 2% em florestas primárias tropicais e as espécies pioneiras caracterizam-se por apresentar alta taxa de mortalidade, o que se deve ao fato de que as árvore em florestas tropicais são mais susceptíveis a senescência, seca, competição, ação de fungos e bactérias ou a combinação desses fatores.

Monitoramento de florestas com o Mata Nativa

Além das opções de amostragem e censo, com o Mata Nativa é possível monitorar o desenvolvimento de uma floresta. Basta selecionar a opção monitoramento durante o cadastro de um novo projeto.

 

Além de fornecer as informações de medições feitas em diferentes ocasiões, é possível fazer os cálculos relacionados à dinâmica da floresta.

 

Tela do software Mata Nativa na aba de monitoramento do projeto

 

Referência Bibliográfica:

SOUZA, A.L.; SOARES, C.P.B. Florestas Nativas: estrutura, dinâmica e manejo. Viçosa: Editora UFV, 2013, 322 p.

 

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.