Inventário Florestal

7 passos para instalação e medição de parcelas

A eficiência na amostragem de uma determinada área é altamente dependente dos métodos empregados, dado que a intensidade da amostragem pode influenciar os parâmetros a serem analisados. Por isso, o tipo de amostragem deve ser determinado de acordo com a natureza dos organismos a serem estudados. Por exemplo, se é desejável estimar a riqueza de espécies em determinado ambiente heterogêneo, como as formações florestais tropicais, é desejável usar um grande número de unidades amostrais pequenas do que um pequeno número de unidades amostrais grandes.

Com relação à dimensão, o tamanho mínimo de uma unidade amostral deve ser aquele que reflita a estrutura da comunidade, e a amostragem deve ser suficientemente grande para representar adequadamente a diversidade da área estudada. Para isso, as unidades amostrais (parcelas), devem conter as variações naturais da fisionomia, áreas mais fechadas, mais abertas, de modo que a variância entre parcelas seja minimizada. Dessa forma, o erro de amostragem também será minimizado.

Para representar uma floresta ou um fragmento florestal definido como universo amostral, as parcelas devem ter oportunidade de serem sorteadas em qualquer ponto da área a ser inventariada ou, se a opção for pela sistematização, esta deve abranger a área toda, com espaçamento equidistante uma das outras.

Com relação à forma das parcelas, temos os formatos quadrangulares, as retangulares, as circulares. As duas primeiras muito usuais em inventários de florestas nativas, devido à praticidade de instalação e agilidade de medição das árvores, com dimensões que variam entre 400 m2 à 1000 m2, dependendo do objetivo do estudo. Já as parcelas circulares, são bastante usuais em inventários de florestas plantadas, e consideram um raio cuja área da parcela fique entre 400 m2 a 600 m2.

Para realizar a instalação das parcelas no campo, é recomendável o uso de instrumento métrico de precisão (trena), para que todas as parcelas tenham a mesma dimensão. Todas as parcelas alocadas devem ter suas coordenadas geográficas tomadas com auxílio de GPS.

As parcelas caracterizam-se por possuírem um número significativo de indivíduos de porte arbóreo passíveis de medição de CAP (circunferência a 1,30 m do solo). Desta forma, todos os indivíduos que apresentam CAP igual ou maior que o nível de inclusão definido para o estudo, deverão ter seu CAP e altura coletados, além de variáveis qualitativas como infestação por cipó, tortuosidade do tronco (fuste) e iluminação de copa. Geralmente, em inventários para supressão de vegetação, considera-se o nível de inclusão como 15 cm de CAP, que fica em torno de 5 cm de DAP.

Confira os 7 passos

As parcelas devem ser demarcadas com a utilização de trena e estacas, e apresentar forma retangular de dimensões 50 m x 10 m, perfazendo uma área de 500 m². O esquema utilizado para instalação e medição da parcela é exposto a seguir:

➱ 1º Lançar uma linha central de 50 m, com auxílio da trena de 50 m, onde será fixada 2 estacas com a cabeça pintada de vermelho, no início e fim da parcela, para delimitar as extremidades.

➱ 2º Lançar uma linhas de 5 m para cada lado com auxílio da trena de 10 m, ortogonal a linha central, na 1ª extremidade e na extremidade posterior, fixando-se uma estaca com a cabeça pintada de vermelho, em cada um dos vértices. Dessa forma, utiliza-se 6 estacas para demarcação das parcelas.

➱ 3º Toma-se as coordenadas utilizando-se o GPS em uma das extremidades da linha central, onde se considera o início da parcela. Na impede que sejam coletadas coordenadas geográficas no início e fim da parcela.

➱ 4º Caminhando ao longo da linha central, com ajuda de dois auxiliares de campo, um em cada retângulo de 5 m x 50 m, realiza-se a varredura da área delimitada, coletando o CAP, altura total e comercial, e identificação das árvores, através de nome popular ou científico.

➱ 5º Quando não for possível a identificação, realiza-se a coleta de ramos (galhos com folhas), para que possa realizar a identificação a nível de família, gênero e espécie.

➱ 6º Após a coletar os dados supracitados, é recomendável realizar uma rápida caracterização do entorno da parcela, como vestígios de interferência antrópica, vestígios de presença de animais, ocorrência de espécies protegidas por lei, dentre outras características qualitativas.

➱ 7º Registra-se a instalação das parcelas através de fotografias digitais.

Na Figura 1 encontra-se o esquema ilustrativo para instalação da parcela no campo.

Figura 1 –  Esquema ilustrativo para instalação de parcelas no campo.

A instalação de parcelas no campo é um processo simples, no entanto trabalhoso, sendo necessário bastante atenção, para que todas sejam alocadas com as mesmas dimensões.

Na realização das fotografias, é interessante registrar as interferências antrópicas, vestígios de presença de animais, ocorrência de cipós, bromélias e orquídeas, vestígios de queimadas, bem como as variáveis qualitativas de interesse no inventário florestal. Espécies protegidas por lei ou que se destacam na parcela devido ao porte da árvore, também poderão ser fotografadas.

Para instalação de parcelas no campo recomenda-se o uso dos seguintes equipamentos: GPS, trena de 50 m, trena de 10 m, fitilho ou fita zebrada, estacas de madeira de 1,20 m e marretinha. Uma alternativa ao uso de estacas de madeira é a utilização de estacas de bambu, uma maneira de reduzir os custos do inventário.

 

Figura 2 – Estacas de bambu perfiladas delimitando a parcela.

Figura 3 – Lançamento da linha central com a trena de 50 m.

Cabe lembrar que a definição da forma e dimensão das parcelas irão variar de acordo com os objetivos do inventário florestal. Se o objetivo contemplar análise da regeneração natural, parcelas menores, com dimensões de 5 m2 ou 10 m2, deverão ser instaladas dentro da parcela de arvores adultas, conforme ilustrado na Figura 4.

Figura 4 – Esquema ilustrativo para instalação de parcelas de regeneração natural.

Sobre o autor

Marcelo Christovam Simões

Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa, iniciou os primeiros trabalhos de inventário florestal, de florestas nativas e plantadas, na DAP Engenharia Florestal em 2006. Desde então, teve como experiências o planejamento e execução de inventários para empresas do setor privado, como ArcelorMittal, Vale, MCR - Mineração Corumbaense Reunida S.A, MRS Logística S.A, SIMASA – Siderúrgica do Maranhão S/A e também do setor publico, como CEMIG e SFB – Serviço Florestal Brasileiro. Em 2014, participou do Inventário Florestal Nacional do Rio Grande do Norte como líder de equipe e coordenador geral de campo, através da empresa Building Forests. Posteriormente, integrou a equipe técnica da Brandt Meio Ambiente, passando pela experiência de trabalhos com projetos de licenciamento ambiental. Atualmente é Consultor de Vendas
do Software Mata Nativa 4.