Inventário Florestal

Inventário de florestas plantadas

Escrito por Fernanda Carvalho

Conhecer o estoque de madeira e a estrutura das florestas com maior precisão, é de fundamental importância para o planejamento das etapas subsequentes da produção florestal. A principal ferramenta para se conhecer esse estoque é o inventário florestal.

O Inventário Florestal é o procedimento para obter informações sobre as características quantitativas e qualitativas da floresta, tendo como objetivo principal, a quantificação do volume ou biomassa de madeira existente em uma determinada área com adequada precisão e custos compatíveis.

Com a evolução da tecnologia e a crescente necessidade de melhorar a qualidade das informações a serem incorporadas aos projetos de manejo florestal, os inventários florestais diversificam as estratégias de coleta de dados, não limitando-se a uma simples quantificação de volume de madeira total. Além desta característica, um inventário florestal pode fornecer diversas outras informações, tais como: estimativas de área, descrição da topografia, mapeamento da propriedade e estimativas de crescimento. De modo geral, a determinação dos elementos do inventário é baseada nos objetivos do inventário.

Um inventário envolve planejamento, atividades de campo e o trabalho de escritório para a realização dos cálculos. Por mais que as atividades em campo exijam um grande esforço físico e muitas vezes nos depararmos com as mais variadas situações, elas não são consideradas o maior desafio do processo de inventário. É fácil perceber que a maior dificuldade, principalmente para aqueles que estão começando agora a trabalhar com inventário florestal, são os cálculos. Não existem muitas ferramentas no mercado para auxiliar nesse trabalho e trabalhar com planilhas pode ser muito despendioso, principalmente na inserção das fórmulas e organização dos cálculos.

O Mata Nativa entra nesse cenário como o melhor software disponível no mercado para a realização dos cálculos do inventário florestal. Muitos não sabem, mas o Mata Nativa pode ser utilizado também para o inventário de florestas plantadas, gerando os resultados de forma rápida e confiável. Com ele é possível trabalhar com diferentes tipos de inventário: amostragem casual simples, amostragem casual estratificada, amostragem casual dois estágios, amostragem casual conglomerado, sistemática em um estágio, sistemática em dois estágios, realização de monitoramento, método de quadrantes e Inventário 100%.

Para se aprofundar, veja também: Todas as fórmulas dos diferentes tipos de inventário

Planejamento do inventário florestal

Antes de iniciar o trabalho de inventário, é necessário que se faça o planejamento das atividades do inventário, com a elaboração de um plano de execução.

Primeiramente deve-se definir o tipo de informação a se descobrir a partir do estudo, levantar dados sobre a localização, mapas e levantamentos passados. O tamanho da área, as características gerais da floresta, bem como a disponibilidade de recursos, também são peça chave no início do planejamento.

Depois, define-se o desenho de amostragem, onde são determinados as variáveis de interesse, o tamanho das unidades amostrais, número de parcelas que serão lançadas em campo, método de seleção das unidades, precisão requerida e o nível de probabilidade.

Por fim, planeja-se o trabalho de campo: número de equipes de trabalho, procedimentos para a obtenção das informações, equipamentos, ferramentas, transporte, hospedagem e alimentação para a equipe durante as atividades de campo.

Atividades de campo

O lançamento e distribuição das parcelas na área que será inventariada é função do tipo de amostragem adotado. Se a amostragem adotada for a amostragem casual simples ou amostragem casual estratificada o lançamento das parcelas no campo será aleatório. Se a amostragem for sistemática, as unidades que constituem a amostra não são selecionadas pelas leis da probabilidade, mas pelo julgamento pessoal ou sistemático.

As parcelas geralmente tem formato retangular ou circular. As parcelas com o formato retangular são marcadas georeferenciando-se um dos vértices por meio de GPS. A árvore do vértice da parcela é marcada por meio de plaqueta de alumínio ou tinta, nessa marcação é contido o número da parcela. A partir daí é feito o esquadrejamento e a medição do comprimento e largura da parcela por meio de uma trena. As arvores localizadas nos outros vértices são marcadas com o intuito de delimitar a parcela. As parcelas com o formato circular são marcadas georreferenciando-se o centro da parcela. A partir daí defini-se um raio e as árvores localizadas no limite do raio são marcadas por meio de plaqueta de alumínio ou tinta, nessa marcação é contido o número da parcela.

Para medir o diâmetro, geralmente utiliza-se uma suta ou uma fita diamétrica, sendo que essas medidas devem ser tomadas a 1,30m do chão, obtendo-se assim, o diâmetro à altura do peito (DAP). Dependendo da escolha do instrumento utilizado, como por exemplo a fita métrica, mede-se a circunferência à altura do peito, porém, esta deverá ser convertida em DAP, utilizando-se a relação:

DAP= CAP/ π

A medição da altura das árvores é feita utilizando-se instrumentos denominados hipsômetros. Para florestas plantadas, geralmente mede-se a altura de apenas alguns indivíduos da parcela e é comum o uso de equações hipsométricas, onde, através de modelos de regressão, pode-se estimar a altura das árvores de um povoamento florestal.

Durante muito tempo utilizou-se fichas de campo para a anotação das informações coletadas em campo. Esse método traz consigo vários pontos negativos: as fichas voltam sujas, desorganizadas, com diferentes caligrafias e em caso de chuva, essas fichas podem ser inutilizadas. Nesse contexto, o aplicativo do Mata Nativa para dispositivos móveis funciona perfeitamente para evitar todos esses problemas, e além de otimizar o tempo de campo, ele extingue o trabalho de digitação dos dados em planilhas.

Leia também: Coleta de dados do inventário florestal utilizando o Mata Nativa Móvel 

Após a coleta do CAP e altura das árvores da parcela é possível estimar o volume de madeira por meio de equações volumétricas que são ajustadas através da cubagem rigorosa, ou seja, medições de diâmetro ao longo do fuste.

Atualmente, existem softwares capazes de realizar o ajuste dessas equações volumétricas, como por exemplo, o Cubmaster. Esse software destaca-se pela interface amigável que permite ao usuário manipular diferentes bancos de dados, totalizar os volumes das árvores por diferentes procedimentos, ajustar equações volumétricas de diferentes naturezas, ajustar modelos de taper, que descrevem o perfil das árvores, bem como realizar análises gráficas de consistência e de precisão das equações ajustadas.

Utilizando o Mata Nativa para realizar os cálculos do inventário de florestas plantadas – Amostragem

A realização dos cálculos com o Mata Nativa é um processo muito simples. Basicamente, importa-se os dados e depois de poucos cliques, tem-se todos os resultados.

Na tela inicial do Mata Nativa, basta clicar em novo, escolher um dos métodos de amostragem, cadastrar o nome do projeto, a data e clicar em OK.

No módulo dados, na aba árvore, você pode importar os dados de uma planilha previamente preparada ou digitar os dados diretamente no Mata Nativa. Caso tenha coletado os dados utilizando o Mata Nativa Móvel, esses poderão ser sincronizados no passo anterior.

Após a importação, clique em cálculos, vá para a aba amostragem e clique em calcular.

Ao clicar em calcular, a janela de opções de cálculo será aberta. Deverão ser preenchidos: a área total, o erro %, selecionar o nível de probabilidade e o parâmetro (volume, área basal ou número de indivíduos). Além disso, deve-se selecionar a fórmula do cálculo de volume a ser utilizada e clicar em calcular.

Pronto! A tela com os resultados da amostragem será exibida.

Referência bibliográfica:

SOARES, Carlos Pedro Boechat; NETO, Francisco de Paula; SOUZA, Agostinho Lopes de. Dendrometria e Inventário Florestal. 2ª. ed. Viçosa: Editora UFV, 2011. 272 p.

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.