Inventário Florestal

Informações obtidas de levantamentos fitossociológicos

Escrito por Mata Nativa

Os levantamentos fitossociológicos têm como objetivo conhecer as comunidades vegetais do ponto de vista florístico e estrutural. Segundo Sampaio et al. (1996) os estudos fitossociológicos contribuem para o conhecimento Informações obtidas de levantamentos fitossociológicos  da estrutura das comunidades, bem como o conhecimento da flora regional, subsidiando desta forma, o manejo, a recuperação e/ou conservação dos ecossistemas.

A caracterização fitossociológica de uma floresta é auxiliada pela avaliação de diversos parâmetros que  caracterizam a estrutura horizontal e vertical da mesma. Além de informações exclusivamente qualitativas, como a composição florística da comunidade, os parâmetros quantitativos assumem uma posição importante no estudo de um ecossistema florestal. Os principais parâmetros utilizados estão descritos a seguir.

1 – Estrutura Horizontal

É a organização e distribuição espacial dos indivíduos na superfície do terreno. As estimativas dos parâmetros da estrutura horizontal incluem a freqüência, a densidade, a dominância, e os índices do valor de importância e do valor de cobertura de cada espécie amostrada. As estimativas são calculadas por meio das seguintes expressões (LAMPRECHT, 1964; MUELLER-DUMBOIS e ELLENBERG, 1974; MARTINS, 1991).

Veja também: Formulas da estrutura horizontal

1.1 Densidade

É o número de indivíduos de cada espécie ou do conjunto de espécies que compõem uma comunidade vegetal por unidade de superfície, geralmente hectare. A densidade relativa diz respeito ao número de indivíduos total de uma mesma espécie por unidade de área, e a densidade relativa revela, em porcentagem, a participação de cada espécie em relação ao número total de indivíduos de todas as espécies.
formula-densidade
em que:
DA i = densidade absoluta da i-ésima espécie, em número de indivíduos por hectare;
n i = número de indivíduos da i-ésima espécie na amostragem;
N = número total de indivíduos amostrados;
A = área total amostrada, em hectare;
DR i = densidade relativa (%) da i-ésima espécie;
DT = densidade total, em número de indivíduos por hectare (soma das densidades de todas as espécies amostradas).

1.2 Frequência

Expressa o número de ocorrências de uma determinada espécie nas diferentes parcelas alocadas; pode ser frequência absoluta, quando obtida pela percentagem das parcelas em que a espécie ocorre, ou freqüência relativa, obtida pela soma total das freqüências absolutas, para cada espécie.
formula-frequencia
FA i = freqüência absoluta da i-ésima espécie na comunidade vegetal;
FR i = freqüência relativa da i-ésima espécie na comunidade vegetal;
u i = número de unidades amostrais em que a i-ésima espécie ocorre;
u t = número total de unidades amostrais;

1.3 Dominância

É um parâmetro que expressa a influência de cada espécie na comunidade, através de sua biomassa. A dominância absoluta é obtida através da soma das áreas basais (AB) dos indivíduos de uma mesma espécie, por hectare. A dominância relativa corresponde à participação, em percentagem, em relação à área basal total (ABT).
formula-frequencia
em que:
DoA i = dominância absoluta da i-ésima espécie, em m2 /ha;
AB i = área basal da i-ésima espécie, em m2 , na área amostrada;
A = área amostrada, em hectare;
DoR i = dominância relativa (%) da i-ésima espécie;
DoT = dominância total, em m 2 /ha (soma das dominâncias de todas as espécies).
ABT = Área Basal Total (m2)

1.4 Valor de Importância

Este parâmetro é o somatório dos parâmetros relativos de densidade, dominância e freqüência das espécies amostradas, informando a importância ecológica da espécie em termos de distribuição horizontal.
formula-valor-de-importancia
VI = Valor de Importância absoluto
VI% = Valor de Importância relativo
DR i = densidade relativa (%) da i-ésima espécie;
FR i = freqüência relativa da i-ésima espécie na comunidade vegetal
DoR i = dominância relativa (%) da i-ésima espécie;

1.5 Valor de Cobertura

Este parâmetro é o somatório dos parâmetros relativos de densidade e dominância das espécies amostradas, informando a importância ecológica da espécie em termos de distribuição horizontal, baseando-se, contudo, apenas na densidade e na dominância.
formula-valor-de-cobertura
DR i = densidade relativa (%) da i-ésima espécie;
DoR i = dominância relativa (%) da i-ésima espécie;
VCi Valor de cobertura
VCi% Valor de cobertura em (%).

A Figura abaixo mostra o processamento da Estrutura Horizontal feito pelo software Mata Nativa 4

2 Estrutura Vertical – Posição Sociológica

Análise da estrutura vertical nos dá uma idéia da importância da espécie considerando a sua participação nos estratos verticais que o povoamento apresenta. Os estratos verticais encontrados na floresta podem ser divididos em: espécies dominantes, intermediárias e dominadas. Aquelas espécies que possuírem um maior número de indivíduos representantes em cada um desses estratos certamente apresentarão uma maior importância ecológica no povoamento em estudo.
As estimativas de Posição Sociológica Absoluta ( PSA i ) e Relativa ( PSR i ), por espécie são obtidas pela solução das expressões (FINOL, 1971).
formula-estrutura-vertical
em que:
VF ij = valor fitossociológico da i-ésima espécie no j-ésimo estrato;
VF j = valor fitossociológico simplificado do j-ésimo estrato;
n ij = número de indivíduos de i-ésima espécie no j-ésimo estrato;
N j = número de indivíduos no j-ésimo estrato;
N = número total de indivíduos de todas as espécies em todos os estratos;
PSA i = posição sociológica absoluta da i-ésima espécie;
PSR i = POS (%) = posição sociológica relativa (%) da i-ésima espécie;
S = número de espécies;
m = número de estratos amostrados.

Veja também: Formulas da Estrutura Vertical

A Figura abaixo mostra o processamento da Estrutura Vertical feito pelo software Mata Nativa 4

3 Regeneração Natural

Consiste no levantamento dos descendentes das plantas arbóreas. Os parâmetros para Regeneração Natural são calculados utilizando as mesmas fórmulas que as utilizadas para árvores adultas, porém, considerando dados de árvores e parcelas em regeneração.
São obtidos valores das classes absoluta e relativa de tamanho da Regeneração Natural, pela expressão (FINOL, 1971):
formula-regenerao
em que:
CAT i = classe absoluta de tamanho da regeneração da i-ésima espécie;
CRT i = classe relativa de tamanho da regeneração da i-ésima espécie;
n ij = número de indivíduos da i-ésima espécie na j-ésima classe de tamanho;
N j = número total de indivíduos na j-ésima classe de tamanho;
N = número total de indivíduos da regeneração natural em todas as classes de tamanho.

Veja também:Fórmulas da regeneração natural

A Figura abaixo mostra o processamento da Regeneração Natural feito pelo software Mata Nativa 4

estruturavertical-reg-naturalmn4

 

Veja também:

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