Inventário Florestal

Inventário florestal pelo método Ponto-quadrante

Escrito por Fernanda Carvalho

O Método do Ponto-quadrante, ou simplesmente Quadrantes, é um método que dispensa a instalação de parcelas, oferecendo maior rapidez em sua execução. Este método se baseia no fato de que o número de árvores por unidade de área pode ser calculado a partir da distância média entre árvores.

O ponto-quadrante é muito útil para levantamento da flora e para obtenção de informações para animais sésseis, desde que, a população possua distribuição espacial aleatória, sendo um método menos preciso para populações organizadas de forma uniforme ou agregadas. No primeiro caso, o uso da metodologia resulta em uma super estimativa na densidade, enquanto que no último há uma subestimativa. Isso porque a densidade da comunidade é estimada a partir da média das distâncias do indivíduo ao ponto central que define quatro quadrantes e, considera-se que a área média ocupada por indivíduo é igual ao quadrado desta distância média.

O método baseia-se no estabelecimento de pontos em uma comunidade florestal, que serão o centro de um plano cartesiano que definirá quatro quadrantes. A distância entre os pontos deve ser precisamente determinada, de maneira a evitar que um mesmo indivíduo seja amostrado em dois pontos diferentes.

O Método dos Quadrantes também apresenta outras vantagens:

  • Redução da influência da forma da parcela sobre os resultados;
  • Facilidade na locação dos pontos de amostragem;
  • Maior área de amostragem;
  • Maior consistência na comparação dos resultados obtidos em diferentes povoamentos do mesmo tipo de vegetação;
  • Ganho no tempo de campo;
  • Maior rapidez e eficiência, e menor necessidade de equipamentos e pessoal.

Como o número de árvores amostradas em cada ponto é limitado, é necessário assumir uma distribuição espacial completamente aleatória, para se ter uma estimativa mais precisa da densidade.

Em cada ponto de amostragem estabelece-se uma cruz formada por duas linhas perpendiculares com direção convencionada, delimitando 4 quadrantes. Em cada quadrante mede-se a distância do ponto até o centro do tronco da árvore mais próxima e registra-se a população (espécie ou outro táxon primário) a que o indivíduo pertence. Assim, a determinação de densidade é uma questão de saber a área média ocupada por um indivíduo.

Para evitar que um mesmo indivíduo seja medido mais que uma vez, a distância entre os pontos deve ser medida previamente. Uma forma de determinar a distância entre os pontos é a realização de uma mensuração prévia de no mínimo cinquenta distâncias entre dois indivíduos ao longo de uma comunidade, visando registrar as maiores distâncias existentes na floresta. Depois, é calculada a distância média destas cinquenta medições, que é elevada ao quadrado para a obtenção de um valor de distância mínima para o estabelecimento dos pontos ao longo da área. Em cada quadrante, é marcado e identificado o indivíduo mais próximo do ponto central que atenda aos critérios de inclusão da amostragem e, em seguida, é registrada a distância deste em relação ao ponto central do quadrante.

Onde, “d(i)” é a distância medida entre o indivíduo i e o ponto e “n” é o número de indivíduos registrados.

A limitação deste método está no número de árvores amostradas em cada ponto, o que torna necessário assumir uma distribuição espacial completamente aleatória, para se obter uma estimativa mais precisa da densidade. Consequentemente, é uma estimativa menos exata, podendo gerar superestimativas na densidade quando a população é uniforme ou subestimativas na densidade.

A frequência absoluta para estudos utilizando ponto quadrante pode ser calculada como o número de pontos em que determinada espécie ocorre, dividido pelo número total de pontos usados para amostragem da comunidade:

Onde, “Ji” é o número de pontos em que a espécie i foi observada e “K” é o número total de pontos na amostra.

No cálculo da densidade média, considera-se dados referentes à distância média e área média ocupada por indivíduo:

Onde, ”n(i)” é o número de indivíduos amostrados para a espécie i e ”u” é a unidade de área para a qual pretende-se realizar as inferências.

Já a cobertura pode ser calculada por:

Onde “a” é a área basal da espécie i obtido por meio da circunferência ou diâmetro e “n” é o número de indivíduos inventariados da espécie i.

Veja também: As siglas utilizadas no Mata Nativa

O valor de importância é obtido pela soma da frequência relativa, densidade relativa e a cobertura relativa:

VI = FR + DR + CR

Cálculos do Método Ponto Quadrante utilizando o Mata Nativa

Na tela inicial do Mata Nativa 4, basta selecionar o opção Ponto Quadrante, cadastrar um nome e data para o novo projeto.

A diferença básica entre  os dados do método dos quadrantes e a amostragem casual é que existirão duas novas colunas no módulo DADOS:  ponto e distância. Basta importar os dados coletados em campo ou sincronizá-los utilizando o Mata Nativa Móvel.

Mude para o módulo cálculos, escolha a aba estruturas e a sub-aba estrutura horizontal. Para fazer obter os resultados, basta clicar em Cálcular e escolher as opções de cálculo desejadas. Pronto! Todos os resultados serão apresentados.

 

Veja também  o texto sobre:  Análise qualitativa no Mata Nativa

Veja mais:

 

 

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.