Inventário Florestal

O importante papel do parabotânico na identificação das espécies florestais

O parabotânico (identificador) é um profissional que tem como tarefa reconhecer, coletar e identificar as árvores na floresta através de sua experiência e vivência. Diferente dos mateiros, que tem como tarefa, abrir trilhas e guiar a equipe que realiza a campanha de campo, mas que também ajudam muito no reconhecimento de espécies.

Muito comum no norte do país, os parabotânicos sabem ler as florestas. Com passos precisos, esses profissionais tem a missão de chegar aonde quase ninguém pisa para reconhecer árvores. Em seu cotidiano, eles costumam tomar chuva e passar o dia na mata sujeito à ataques de vespas, um calor sufocante e o risco de topar com animais peçonhentos são, para eles, apenas pequenos incômodos.

Para os olhos desavisados de quem anda pela mata, as flores e os cipós caídos na trilha, características da casca de um tronco, a folhagem do chão são apenas imagens de uma bela paisagem. Para os parabotânicos, essas são peças de um quebra-cabeça que vai definir o nome da árvore que ele precisa identificar.

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Na Amazônia, o parabotânico é considerado peça fundamental para coleta e identificação de espécies, agilizando os trabalhos e reduzindo custos, uma vez que os pesquisadores demoram muito para fechar a identificação das espécies sem o auxilio desses profissionais.

Um parabotânico experiente pode até participar de uma publicação científica, pois eles conseguem, por meio de suas técnicas de identificação, separar as plantas por família e gênero. Alguns até classificam as espécies. Uma tarefa para poucos. Para entender a floresta, o parabotânico usa os cinco sentidos, podendo até mastigar pedaços de madeira, pois o cheiro e o gosto podem ser característica de certa família ou gênero. Diante disto, a coleta de ramos, flores e frutos, que serão levados para o laboratório onde a descrição feita pelos identificadores é checada por botânicos para definição da espécie. As dúvidas sobre espécie e subespécie são avaliadas por especialistas. Na maioria dos casos, esses botânicos entendem apenas de algumas famílias específicas. O conhecimento geral sobre a floresta é um talento dos parabotânicos.

A presença destes profissionais em uma pesquisa também ajuda na publicação internacional. Revistas científicas de grande prestígio, como Nature e Science, exigem a garantia da identificação correta das árvores e com isso ter um parabotânico renomado ajuda a dar mais credibilidade ao trabalho.

Apesar da importância científica, a profissão de identificador pode acabar. O número desses profissionais é cada vez menor nas instituições de pesquisa da Amazônia. Um dos principais obstáculos para a formação de novos identificadores é a ausência de treinamento. A grande maioria dos parabotânicos que atuam na floresta foi formada há a muito tempo. Eles aprenderam a classificar as árvores com os grandes pesquisadores que passaram pela Amazônia, como João Murça Pires, Graziela Barroso e Christopher Uhl, precursores da geração de botânicos e engenheiros florestais de hoje. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) promove cursos de até uma semana para formar parabotânicos, no entanto é um tempo muito pequeno quando se compara à vivência daqueles que cresceram na floresta.

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A capacitação de parataxônomos é um dos desafios da área de manejo florestal na Amazônia Brasileira. A qualidade técnicas destes profissionais pode colaborar com a melhoria dos trabalhos de inventário florestal por meio da padronização da nomenclatura botânica e sistematização dos métodos de coleta e identificação das espécies manejadas em Planos de Manejo na Amazônia.

Aos 70 anos, Manoel Cordeiro, é o parabotânico mais experiente da Embrapa e vive em Belém, no Pará. Para conhecer a sua história e um pouco mais sobre essa profissão, acesse o seguinte link.

http://g1.globo.com/pa/para/e-do-para/noticia/2015/09/trabalho-dos-parabotanicos-garante-pesquisas-cientificas-na-amazonia.html

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Sobre o autor

Marcelo Christovam Simões

Formado em Engenharia Florestal pela Universidade Federal de Viçosa, iniciou os primeiros trabalhos de inventário florestal, de florestas nativas e plantadas, na DAP Engenharia Florestal em 2006. Desde então, teve como experiências o planejamento e execução de inventários para empresas do setor privado, como ArcelorMittal, Vale, MCR - Mineração Corumbaense Reunida S.A, MRS Logística S.A, SIMASA – Siderúrgica do Maranhão S/A e também do setor publico, como CEMIG e SFB – Serviço Florestal Brasileiro. Em 2014, participou do Inventário Florestal Nacional do Rio Grande do Norte como líder de equipe e coordenador geral de campo, através da empresa Building Forests. Posteriormente, integrou a equipe técnica da Brandt Meio Ambiente, passando pela experiência de trabalhos com projetos de licenciamento ambiental. Atualmente é Consultor de Vendas
do Software Mata Nativa 4.