Inventário Florestal

Planejamento da Produção Florestal

Escrito por Fernanda Carvalho

O planejamento da produção florestal é caracterizado pela organização das atividades de produção de madeira e outros bens oriundos da floresta através de técnicas analíticas, objetivando a indicação de opções de manejo que contribuam para atender às intenções do empreendimento.

Trata-se de uma atividade contínua, que é desenvolvida de modo ordenado e racional, onde o processo de tomada de decisões é estruturado no nível da empresa, sem decisões intuitivas, visando identificar e permitir o alcance de objetivos de longo prazo.

O planejamento envolve muitas variáveis e, por isso, requer grande habilidade do manejador, que, para conseguir bons resultados na produção, deve escolher o modelo, observando o excesso dessas variáveis, pois isso poderia comprometer o êxito do projeto.

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A eficiência do processo não pode ser medida somente pela técnica utilizada para a sua elaboração. A tomada da decisão nas empresas florestais tem consequências, muitas vezes bem mais relevantes que em outras formas de negócio, devido à característica de longo prazo do planejamento florestal. Por isso, o planejamento prevê a investigação do passado e se prepara para as mudanças futuras.

Quanto mais apurada a técnica utilizada para se planejar, maior é a especificidade e a precisão das informações requeridas. Como exemplo, podemos citar a utilização da programação linear, onde o aumento das restrições impostas ao sistema exige um maior numero de informações disponíveis, ou seja, para se obter um plano florestal de plantio e exploração à longo prazo, são necessárias informações detalhadas de topografia, custos, inventário, etc.

Alguns aspectos devem ser levados em consideração no planejamento da produção florestal:

  • Regulação do manejo da floresta adequado à capacidade do ecossistema;
  • Determinação do ciclo de corte e horizontes de planejamento;
  • Coleta de informações sobre o potencial da floresta por intermédio do planejamento e execução de inventários prévios;
  • Planejamento do monitoramento da evolução da floresta para conhecer a taxa de recuperação e outros processos relativos à sua dinâmica;
  • Preparação de programas de plantio de enriquecimento com objetivos e metas claras  para garantir rentabilidade e evitar impactos negativos ao ambiente;
  • Agrupamento das espécies, no planejamento, de acordo com critérios tecnológicos, econômicos e ambientais.

Capacidade produtiva

A capacidade produtiva pode ser definida como o potencial de produção de madeira de uma área para uma espécie particular ou tipo florestal. O conhecimento da capacidade produtiva é importante para a seleção de espécies, a decisão sobre o regime de corte, extrapolação de resultados experimentais, definição de unidades para manejo, análise do efeito de adubações, estudos que visam melhoria na produtividade e na modelagem do crescimento e da produção.

Um método eficiente de determinação da capacidade produtiva é a classificação por meio dos índices de local utilizando a altura dominante, que abrange idades que vão do estabelecimento do povoamento, até pelo menos dois anos após a idade máxima produtividade média em volume, garantindo maior consistência nos resultados.

Rotação regulatória e rotação de corte

A rotação regulatória é o número de anos decorridos entre uma colheita final e outra, correspondendo ao número de anos que deve ser usado numa análise de fluxo de caixa. Ela deve ser interpretada como o intervalo de tempo necessário para converter uma estrutura existente na floresta para a estrutura desejada.

A rotação de corte é a idade em que o povoamento é cortado, sendo também o número de anos que é empregado numa função de produção.

A determinação da idade média para a rotação da floresta é o fator principal para o planejamento da empresa florestal, pois determina o sistema de manejo.

Horizonte de planejamento

O horizonte de planejamento é um período de tempo estimado durante o qual o empreendimento em análise será operado, podendo ser finito ou infinito. O horizonte é subdividido em períodos, normalmente em anos, e as ações ocorrem no início dos mesmos.

Para determinar o Horizonte de planejamento, deve -se considerar que, quanto maiores os horizontes, maiores são as incertezas de concretização do planejamento feito para o futuro, devido a fatores como mudanças nas condições econômicas, aparecimento de produtos concorrentes, alteração de custos, preferência dos consumidores e mudanças tecnológicas. Em contrapartida, para horizontes curtos, tem-se o risco de não se considerar acontecimentos que podem ocorrer após o período adotado para planejamento.

Manejo florestal

O manejo florestal permite o gerenciamento de todo o processo de produção florestal, envolvendo desde a coleta de dados para o fornecimento de informações, até o planejamento da produção para o conjunto das áreas florestais.

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Como o manejo é um processo de tomada de decisão, o manejador deve ter uma visão global de planejamento e para isso, utilizar modelos matemáticos que permitam a previsão da produção e o gerenciamento das informações por meio de planos de manejo, que precisa definir com clareza os objetivos e meios para alcança-lo. Ele deve delimitar suas decisões de acordo com informações ambientais, sociais e econômicas, de forma que a sustentabilidade e a continuação da atividade florestal seja garantida.

O planejamento é indispensável no manejo, em razão da dificuldade em se promover mudanças no processo de gestão e devido aos longos períodos envolvidos.

Quer saber mais sobre Manejo Florestal? Acesse o nosso blog e confira o Roteiro básico para elaboração de um plano de manejo florestal.

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.