Inventário Florestal

O que esperar do setor florestal em 2018?

Escrito por Fernanda Carvalho

O ano mal começou e já vemos algumas diferenças positivas em relação aos anos anteriores. Além dos investimentos, vemos uma notável melhora nas ofertas de vagas de empregos no setor.

Desde o início da crise econômica, as empresas lutaram para manter a saúde financeira. A satisfação de deixar para trás as decepções de 2017 e a expectativa da retomada econômica em 2018, renova os ânimos do setor florestal. A previsão de crescimento é bastante real, mas é importante que o governo cumpra o seu papel, principalmente nos assuntos ligados à legislação trabalhista e tributária, além de resolver os assuntos que retiram a competitividade brasileira frente a outros países.

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As boas notícias do início do ano, como a redução da inflação e a consequente queda na taxa básica de juros podem, a médio prazo, contribuir com o resultado financeiro das empresas. Espera-se também que o aumento do preço dos insumos que afetou os custos das empresas nestes últimos dois anos sejam minimizado em 2018.

A melhora observada nos números do ano passado também contribuem para o otimismo deste ano. O Brasil está entre os principais produtores de celulose, papel e painéis de madeira no mundo, com exportações que trazem inegável contribuição para a balança comercial e geram muitos empregos e renda em todas as regiões do País. De janeiro a novembro de 2017, as vendas para o mercado externo de celulose cresceram 3% na comparação com mesmo período em 2016, alcançando 12,1 milhões de toneladas. Neste ano, a China deve se manter como principal destino da celulose produzida pelo Brasil com 39,2% de participação, representando uma receita de US$ 2,25 bilhões (+17,9%). Já as exportações de painéis de madeira aumentaram 26,3%, atingindo 1,17 milhão de metros cúbicos e as vendas externas de papel ampliaram 0,9%, com mais de 1,9 milhão de toneladas.

De acordo com a Indústria Brasileira de árvores, as receitas das exportações do setor produtivo de árvores plantadas somaram entre janeiro e novembro de 2017 US$ 7,7 bilhões, um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2016. O impacto do setor na balança comercial foi um superávit de US$ 6,8 bilhões, um avanço de 13,1%. Esses números também servem para reforçar o potencial de melhora do mercado.

Ainda falando sobre as perspectivas, em sua última projeção para a população, a ONU revelou que para 2050 a projeção é de uma população de 9,3 bilhões de pessoas, com mais de 10 bilhões em 2100. Para atender esse volume crescente, em um cenário de baixo carbono, energias renováveis e desmatamento líquido zero, serão necessários cerca de 250 milhões de hectares adicionais de florestas plantadas no mundo.

Assim, mesmo com o mercado interno ainda em baixa, o cenário de exportações ganhará força e deverá registrar mais um ano de resultado positivo e o atual movimento em prol do clima deve aumentar a demanda por produtos sustentáveis, renováveis e recicláveis, como as florestas. O aumento da produção ocorrerá em conjunto com a preocupação com o meio ambiente, sendo o setor essencial para equilibrar o atendimento às demandas da população com capacidade de regeneração dos recursos do planeta. A expectativa é que a utilização das tecnologias mais avançadas de produção permita aproveitar, no futuro, 100% da floresta, possibilitando novos usos, como a lignina, o etanol de segunda geração, uma nova geração de bioplásticos, nanofibras e óleos. Assim, as árvores serão também provedoras de matéria-prima para outros segmentos produtivos, entre eles, as indústrias automobilística, farmacêutica, química, cosmética, aeronáutica, têxtil e alimentícia.

A expansão das florestas plantadas e restauração de áreas degradadas também têm potencial. Para as empresas e produtores florestais é importante também estar atento às novas tecnologias, como a biorrefinaria, a nanotecnologia e a biotecnologia.

Como líder mundial em produtividade de madeira, o setor florestal brasileiro tem como desafio intensificar a sua produção para atender a esta crescente demanda por fibras, madeira, energia e tantas novas aplicações ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento, sempre comprometido com o manejo sustentável das florestas, que exercem papel relevante na proteção e conservação dos ecossistemas.

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Uma grande aposta é o mercado de biomassa florestal, que deve se consolidar como promissor a partir de 2018. Relacionado a isso, a notícia sobre o investimento estrangeiro de 1 bilhão na fábrica de pellets em Pinheiro Machado, no Rio Grande do Sul, reforça as expectativas sobre a área. O insumo para a produção serão 96 mil hectares, localizados em um raio de 50 quilômetros (que haviam sido plantados para o antigo projeto da Votorantim). Quando a indústria estiver pronta, serão gerados 800 empregos somente na parte da colheita.

Não há previsão de grande melhora em relação ao preço da madeira, mas a tendência é que os preços se estabilizem.

De modo geral, começamos o ano com uma grande expectativa de melhora e de investimento no setor.

Referência Bibliográfica

Relatório Anual 2017 / Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) – Brasília: 2017.

 

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Sobre o autor

Fernanda Carvalho

Engenheira Florestal formada pela Universidade Federal de Viçosa. Continuou seus estudos na Technische Universität München, Alemanha, onde cursou disciplinas do Mestrado em Manejo de Recursos Sustentáveis com ênfase em Silvicultura e Manejo da Vida Selvagem. Dedicou grande parte da graduação a projetos de Educação Ambiental e pesquisas relacionadas a Celulose e Papel. Foi estagiária do Meio Ambiente Florestal da Fibria Celulose S/A trabalhando principalmente com Restauração Florestal e Formação Ambiental. Trabalhou com consultoria na Florestal jr, atuando principalmente em projetos de Inventário Florestal, Averbação de Reserva Legal e Mapeamento de Áreas. Atualmente trabalha como consultora do Software Mata Nativa na Cientec.